E nessa merda é assim mesmo, todos os outros são vítimas e você quando sobra com algum papel de importância, esse papel é o de vilão. Se você oferece ajuda, você humilha. Se você vira as costas, aí você é egoísta. Mais que inferno é esse ?
Quee porra de atitude você espera enfim ? Eu não tenho culpa.
Eu nunca tive, mais eu sempre a carreguei, aqui neste mesmo quarto que eu fiz questão de quebrar todos os móveis é onde eu chorava sozinha tentando adivinhar o que merda eu deveria fazer.
Estar cansada não me deixa mais acreditar.
Ser bonita, nova, ter uma vida pela frente, não me entusiasma nem um pouco.
Ter sonhos... Nem ao acordar de uma noite de sono eu me lembro, eu nunca me lembro deles.
É um lixo mesmo, é tudo uma porcaria.
"Os últimos gravetos se desentrelaçaram. Secos, quebradiços. O amor foi embora, os vestígios ficaram tatuados no tronco como da última vez. As camisetas dele ninguém vê: do varal, foram pra caixa... De limpas, estão empoeiradas. No sorriso dela ninguém crê: a sinceridade se escondeu com o sentimento, em algum vão dentro de seu peito estão as palavras emocionadas. É que o tempo desfez o ninho, passarinho não quer amar. Andou bicando um pouco de cada vinho em todas as fontes da cidade com vários amiguinhos diferentes, indecentes. Incidentes, acidentes aconteceram. Caíram corpos no chão, na cama, caíram lágrimas, que fizeram correnteza e levaram toda a sua dignidade. No outro dia, nem mesmo a ressaca ressalva o seu pudor. As quedas – do alto da árvore, do clímax do amor – deixaram marcas. Põe esparadrapo nas asas e vai, não há tempo para amar. É que o tempo desfez o ninho, passarinho só quer voar."
(Railma Medeiros)











